segunda-feira, 11 de maio de 2009

1966/Lima Duarte

 

O ano prometia ser dos mais animados em termos de trabalho. Estava na Record, na época líder de audiência, fazendo rádio e TV.

Na rádio, com um programa diário e um semanal, e na TV, dois programas semanais. Um com a apresentação de Henrique Lobo (Dois na Gangorra), aos sábados à tarde, como produtor executivo, e outro, nas noites de sexta feira, com Blota Jr, como membro de uma equipe de produção, que incluía meu irmão Haya Hohagen, Lemos Brito, José Guimarães, Manoel Carlos e Blota Neto, filho do apresentador.

O “Blota Jr Show”, marcou  época na televisão brasileira. Blota era um   entrevistador  elegante, simpático, culto, de perguntas inteligentes e de rápido raciocínio.

Formava com Sonia Ribeiro, sua mulher, o casal mais elegante da TV.

Tinham muitos admiradores, e eram muito queridos por seus companheiros de trabalho. 

Tive com Blota Jr uma convivência muito prazeirosa.

Mas em junho desse ano, numa medida de contenção de despesas, houve um corte de funcionários. Henrique Lobo e sua equipe foram dispensados e nós também.

Blota como sempre muito companheiro, prometeu nos ajudar no que fosse possível.

Estávamos em começo de carreira na TV. Haya recém casado.

Blota Jr, já nessa época, militava na política. Haveria eleições para Senado, Câmara Federal e Assembléia Legislativa. Ele era candidato.

A ARENA, partido do governo, pelo qual Blota disputaria a eleição, estava se estruturando para a campanha e seu presidente, o deputado federal Arnaldo Cerdeira, lhe pediu, por ser ele homem de comunicação, que indicasse alguém para organizar aquele setor. Imediatamente fomos indicados.

Tivemos uma longa reunião com o presidente Arnaldo Cerdeira e com o secretário geral do partido, Hamilton Prado, ocasião na qual, traçamos a estratégia da campanha para rádio e TV. 

Fizemos várias inovações, entre elas, um programa de entrevistas semanal, com o comando de Branca Ribeiro e Roberto Arruda na TV Excelsior, foi um verdadeiro sucesso, por fugir do esquema convencional dos programas políticos.

Branca Ribeiro sempre vestindo longo e Roberto de smoking, conduziam programa, focando o lado humano e pessoal do candidato. Não se falava em política.

Lá os candidatos falavam de poesia, contavam causos, mostravam suas aptidões artísticas, o que prendia o telespectador, num horário onde, o número de televisores desligados, era cada vez maior, pois, de um lado a ARENA, do outro o PMDB, se confrontavam com muita baixaria, e um verdadeiro festival de insultos.

Ao criar uma opção para apresentar os candidatos, conseguimos melhorar a audiência e, por que não dizer, torná-lo um sucesso.

Para o rádio, montamos na sede do partido,  um estúdio de gravação de áudio e um bureau de informações, comandado pelo diplomata, jornalista e historiador, José de Carvalho e Silva, meu querido avô, que se encarregava de levantar temas de interesse público para serem distribuidos aos candidatos. Gravávamos a fita, que era enviada às emissoras, para entrar nos horários reservados a campanha política.

Certa ocasião, Cerdeira nos chamou e pediu um material de impacto para por no ar no horário nobre. Queria um texto forte e alguém de fácil comunicação para interpretar. De preferência um ator.

Silas Roberg , redator, dramaturgo, foi o escolhido para redigir o texto. Procuramos Lima Duarte para gravar, mas ele se recusou. Não compactuava com o governo. Indicou-nos o excelente Percy Ayres, que também era um ator de interpretações de grande impacto. Chegamos a ensaiar o texto algumas vezes, mas as vésperas da gravação, que seria feita nos estúdios da TV Tupi, Percy foi acometido de uma crise renal e hospitalizado. Corremos para Lima Duarte, contando nosso o problema. Lima  olhou bem pra nós ,coçou a cabeça e disse : “Eu vou fazer! Preciso ajudar um cenógrafo da TV, que foi levado pelo pessoal do Dops e que tem mulher e filhos, que ficaram desamparados.Vou fazer por eles”

E fez.  E com que categoria!  Com que profissionalismo!

Ao final do trabalho  Cerdeira enalteceu bastante a peça elaborada por Lima Duarte, a quem creditou parte do sucesso, que foi a campanha.

O ator por seu lado ficou feliz por ajudar um amigo, naquele momento difícil, pelo qual passaram vários de seus colegas.

Recebemos muitos elogios e a gravação  foi muito comentada na época.

No vídeo uma homenagem a esse incrível ator.


 

 



 

 

  


2 comentários:

w.raeder disse...

Olá, Lafa!

Muito legal o seu blog. Sou fotógrafo e o meu pai era o Silas Roberg da embrionária tv Bandeirantes. Muito prazer!

Wladimir

Lafayette Hohagen disse...

Muito prazer Wladimir, e tive muito prazer também em conhecer seu pai,figura incrível, tremendo redator,escritor ótima pessoa.Abraços e obrigado pela leitura do meu modesto blog de memórias. Lafa.