segunda-feira, 24 de agosto de 2009

1969/Rádio Apolo


São poucas pessoas que conheço, que ouviram falar nessa emissora de rádio. Até, talvez, se lembrem da Rádio Industrial Paulista. Na verdade trata-se da mesma emissora. Rádio Industrial Paulista, tinha sua sede no bairro de Pinheiros e sua programação era voltada à colonia nipônica. Sucessos musicais, noticiários e anunciantes de produtos orientais preenchiam os horários da emissora, que era dirigida e de propriedade de japoneses. Quando passou a se denominar Rádio Apolo, fazendo alusão lógica às naves espaciais do Projeto Apollo durante o governo Kennedy, mudou de endereço e de personalidade. Foi para a Praça Oswaldo Cruz e eliminou a programação nipônica. A pequena Rádio Industrial Paulista preparava-se para crescer.

Foi o amigo Helio Cordeiro, com excelente passagem como repórter pela Jovem Pan e com quem já havíamos trabalhado em 1962 na Midas Propaganda, que nos encaminhou a tal Rádio Apolo, que precisava de uma sustentação em sua programação noturna e passava como toda a emissora, por uma reestruturação. A dupla dinâmica entrava em ação mais uma vez!

Claro que não era nada atraente a proposta financeira oferecida pelos administradores da emissora.

Não havia salário. Nós é que tínhamos que buscar o nosso ganho, mas em compensação, nos 3 primeiros meses, não teríamos que repassar nada a rádio. Eram permutas e mais permutas, pois tínhamos que mostrar aos novos anunciantes que o programa era super procurado por anunciantes diversos. Permutas de butiques, restaurantes, oficinas mecânicas, cinema ao ar livre (na época muito em voga), enfim, o que viesse era bem vindo. Difícil, era depois repassar tudo aquilo e fazer dinheiro, pois as crianças estavam crescendo e com elas as despesas aumentando.

Meu irmão Haya deu a idéia de fazermos um programa que desse opções de entretenimento para a semana, que abrisse espaço ao ouvinte solitário e executasse o melhor da música brasileira.

Funcionou. Tínhamos uma agenda de entretenimento bem atual, a seleção musical por motivos óbvios, não poderia ser melhor. O ouvinte solitário encontrou no “Último Programa” um cantinho amigo para suas solicitações. Este último segmento do programa era interessante, pois as pessoas que alí chegavam, não traziam dramas nem desgraças, apenas desabafos e vontade de encontrar entes que não viam há muito tempo. Eram figuras curiosas que prendiam a atenção de nossa minúscula audiência, e isso, mais por causa da baixa potência de seus transmissores do que pela qualidade de nosso programa, modéstia a parte.

O programa ia bem, havia até uma perspectiva de termos outros horários na programação, mas... no final do ano de 1968, mais precisamente em dezembro, foi instituído o Ato Institucional número 5, que determinava a censura total à imprensa e deu início ao fechamento de muitas emissoras de rádio em todo o país. Claro que São Paulo foi premiado, e, com vários tipos de justificativas, a ditadura militar encerrou as atividades de emissoras que, segundo eles, podiam difundir “atos nocivos à nação”.

Por outro lado, passaram a conceder autorizações para a instalação de emissoras que transmitissem em “Frequência Modulada” e que só executassem músicas. Nada de notícias. Nada de jornalismo.

E foi assim com a pequenina e inofensiva Rádio Apolo que também foi, como muitas outras, fechada pela ditadura militar. E o nosso inocente programa de entreterimento e interatividade com o ouvinte, tão em voga nos dias atuais, acabou por se tornar um perigo a "segurança nacional".

3 comentários:

Raphael Neves disse...

Mas até com a tal Rádio Apolo os "homens" encrencaram??!! Só mesmo você para contar isso...

Aproveito para agradecer suas visitas ao Politika etc. e seus comentários sempre gentis.

Abraço,
Rapha

Lulu Maximus disse...

eu e meu irmão eramos fãs da Radio Industrial Paulista, que tinha seus estúdios na Rua Butantã, contíguo ao Cine Goiáz. Era uma radio para jovens, tocando Ray Conniff de fundo musical quase o dia inteiro. Essa parte japonesa q v fala eu nem percebi. Gostaria de saber mais sobre os donos da radio e seus principais DJs.

Lulu Maximus disse...

ah, o diretor artístico da Radio Industrial Paulista era o OLAVO MOLINA... que fim deu ele?