terça-feira, 8 de setembro de 2009

1955/Niteroi

Na minha infância/juventude, passei vários períodos de férias escolares em Niteroi, na casa de minha tia Esther, irmã de minha avó materna. Ela era funcionária da Câmara dos Deputados que, na época, tinha sua sede no Rio de Janeiro porisso, assídua frequentadora das famosas barcas, que faziam o trajeto hoje substituido pela maravilhosa Ponte Rio- Niteroi.

Morava na Rua Cleto Campelo em Icarai, numa casa bem espaçosa, muito confortável, com seus dois filhos Luiz Carlos de Carvalho Cidade (nome que deu em homenagem a Luiz Carlos Prestes) e Humberto de Carvalho Cidade (o criador da Loteria Esportiva no Brasil) e sua irmã, a beata Senhorinha de Carvalho e Silva. Tempos depois vieram morar na casa , Bernadete, Angela e Ana Maria as netas, frutos de casamentos mal sucedidos dos filhos.

Em sua casa trabalhava Maria, que já fazia parte da familia, aliás acho que sempre fez. Maria era uma governanta que cuidava praticamente de tudo. Fazia um bolo de aipim e um pudim de tapioca como ninguém. Teve um filho de nome Alcino, que também acabou se integrando a familia Cidade. Uma coisa sempre me intrigou: Quem era o Sr. Cidade? Havia um mistério em torno do pai de meus primos. Ninguém tocava no nome dele. Naquela época, a educação não nos permitia perguntar sobre assuntos de adultos e, mesmo depois de adultos, nunca tivemos acesso a essa informação. Nunca procuramos saber, em respeito aquele silêncio.

A família Cidade era bem conceituada na sociedade de Niteroi. Eram sócios nos principais clubes , o Icarai Central e, lógico, o Iate Clube. Os irmãos frequentemente apareciam nas colunas sociais locais, ora em eventos sociais de gala, ora como participantes dos blocos carnavalescos bem tradicionais na época. Eram conhecidos pelas tremendas confusões que faziam , causadas pelo excesso de alcool.

Lembro-me que, como éramos garotos, não participavamos desses programas carnavalescos, mas ficávamos, meu irmão Haya e eu, esperando a chegada do primo Carlos, e nos divertíamos muito com o estado deplorável que chegava na volta para casa. Enquanto esperávamos o carnaval terminar, nossa diversão era ir a praia com Alcino e as pequenas primas, que o tempo todo nos rodeavam.

Numa das temporadas que passamos em Niteroi , fomos levados pelo primo Humberto ao Clube Central, onde haveria um grande baile com orquestra. Na mesa dos Cidade, além de Humberto , alguns amigos dele, Haya e eu. O pessoal da mesa já meio “ alto”. Bebiam Gin com Tônica e cerveja. Humberto, como de costume, queria aprontar alguma “maldade”conosco. Era sua diversão .

Além de nos deixar experimentar as bebidas, nos fez repetir e repetir, divertindo-se muito ao nos ver alcoolizados . Quando dei por mim, estava sentado tocando piano com a orquestra, que abrilhantava o baile.

Não faço idéia do que toquei naquele piano, mas não devo ter -me saido muito mal, pois vários dias depois, ainda era cumprimentado por pessoas que nunca tinha visto antes, e que comentavam a minha performance daquela noite. Foi meu primeiro porre. Aos 16 anos. Induzido pelo primo Humberto.

O dia seguinte foi terrível. Tia Esther fez um sermão daqueles. As priminhas, que na época tinham entre 3 e 6 anos, se divertiram com nosso estado lastimável, insufladas pelos pais.

O primo Humberto foi responsável por várias aventuras vividas em minha juventude, principalmente quando passava minhas férias em Niteroi.

Gostava de apostar em cavalos, aliás, chegou a ter uma égua que corria no Jockey Clube do Rio de Janeiro, a Tarasca. Mais para pangaré do que para uma égua campeã. Chegou a ganhar algumas corridas, mas isso acontecia quando disputava com cavalos de nível bem baixo.

Certa ocasião, havia feito uma “ aposta acumulada” com um “bookmaker”, e ficou dependendo do vencedor do último páreo. A casa da Cleto Campelo entrou na torcida, até Tia Niná (a beata) com seu “terço”, rezava pedindo a seus santos protetores que vencesse o cavalo que daria ao primo Humberto um belo prêmio em dinheiro. E o cavalo venceu! Foi uma gritaria total. Muita alegria. Muita comemoração.

Mas, para o primo Humberto, a comemoração precisava de mais.

Havia um prostíbulo em Niteroi chamado “Churrascaria”, que ficava distante de Icaraí, acho que no “Saco de São Francisco”. Humberto resolveu que iria comemorar conosco, Haya e eu lá na Churrascaria, e para lá fomos. Devia ser um assíduo frequentador, pois foi recebido com todas as pompas e circuntâncias.

Eram muito boas as férias em Niteroi. Voltei esse ano, na semana santa, comde minha mulher Ruth, levado por meu filho Alexandre, minha nora e netas, depois de quase 50 anos . Cheguei pela Ponte Rio-Niteroi, sem barcas, sem os primos Humberto e Carlos, que se foram prematuramente, e sem tempo de rever a Cleto Campelo . As primas Ana Maria e Angela, já faz um bom tempo que não as vejo.

A prima Bernadete também ficou um tanto distante, depois que seu pai o primo Carlos se foi, mas tivemos bastante contato nos anos 60/70, quando morou em São Paulo com seu grupo “ Os Novos Baianos”, época que Riroca nasceu e ela hospedou-se em minha casa.

Não era mais a Bernadete Dinorah de Carvalho Cidade. Passou a Baby Consuelo e ficou Baby do Brasil. Chegamos até a jogar um futebolzinho com seu marido Pepeu Gomes, e os amigos, Paulinho Boca de Cantor, Gato Felix e o resto da troupe.

Saudades da dupla de primos Carlos e Humberto companheiros de muita diversão e muita confusão.

2 comentários:

andre disse...

Lindo vídeo com Os Novos Baianos!
Adorei, Lafa!
abraço
André Couri

Guti e Cristo disse...

Você falou sobre o meu Avô Humberto eu sou o seu neto Gustavo Cidade filho de Ângela. Obrigado por essas novas informações sobre a minha família. Agradecido